Só para treinar escrita
O Brasil perdeu o jogo nas oitavas da Noruega. Tenho vontade de falar sobre o jogo sob a perspectiva e as motivações de quem estava torcendo “contra”, no caso, eu.
Já torci muito pela Seleção Brasileira quando mais novo. Quando o Brasil foi campeão em 2002, fiquei muito eufórico. Baixada a euforia e a explosão de adrenalina do título, senti um imenso vazio dentro de mim. E pensei seriamente se valia a pena continuar alimentando essa intensidade por Copa e Seleção. Hoje, acho até confortável esse sentimento blasé para com os jogos do Brasil. Eu assisto… Se ela ganha, ficou só um pouco frustrado. Se perde, acho engraçado, mas não tenho aquela sensação de prazer sádico.
E escrevo esse texto porque quero treinar escrita e memória também.
Não estou em Osasco, ao lado dos vizinhos que pintaram a bandeira do Brasil na minha rua e estão engajados na Copa faz tempo. Se tivesse, não iria me aguentar, eu ia sair pro quintal pra gritar gol no ouvido deles só de sacanagem.
Deram sorte!
A impressão que tive do jogo até a Noruega fazer o primeiro gol, foi que o jogo estava muito mais pro lado do Brasil. Embora a Noruega ficasse com a bola na maioria do tempo, o Brasil tinha claramente mais talentos individuais e as chances eram mais incisivas. Não lembro de nenhum lance perigoso da Noruega no primeiro tempo e o Haaland tava sendo pouco acionado.
Quando saiu o pênalti, achei que o Brasil ia converter e iria ser mais um jogo melancólico para mim que estava torcendo pra Noruega. Seria um cenário favorável para o estilo de jogo que o Ancelotti adotou: deixar a bola com o adversário e estocar em velocidade nos contra ataques.
O juiz vai pro VAR e refaz a marcação, dando o pênalti pro Brasil. Vejo os Bolsonazis no estádio comemorando e falo pra minha irmã:
- Cara, não sei porque o povo comemora pênalti. Eu não comemoro; só comemoro quando o cara converte.
Burro Guimarães vai pra bola todo cagado e bate de forma displicente. Muito me irrita esse tipo de cobrança que creio que foi o Neymar que inventou, de dar aquela trupicadinha para esperar o goleiro definir um canto ou tentar ludibriá-lo como se fosse uma paradinha. Mano, fecha os olhos e mete uma bomba no gol. Errou errou, mas chuta que nem homem pelo menos.
Não fico com raiva de pênalti errado, fico puto com pênalti mal batido. E esse foi um desses.
Meu grito de euforia ecoa no silêncio do bairro. Com certeza os caras que estão assistindo com Delay ouviram um idiota gritando sozinho.
Mesmo com o pênalti desperdiçãdo, eu que torço contra, estava vendo um cenário favorável pra Seleção Brasileira. A Noruega me irritava com aquele toque de bola sem eficiência, vai por mim, foi uma tortura.
Minha irmã:
- O Haaland não toca na bola!
Eu:
- É, mas quando ele tocar…
No segundo tempo o Endrick erra aquele gol. Não era pra errar, não mesmo. Quando a gente é garoto e joga bola sozinho no quintal ou no Play, imaginamos aquela bola decisiva sobrando pra gente cara a cara com o goleiro num jogo de Copa. Muitas vezes errava o gol vazio, ficava arrasado, aquilo para mim tinha muita realidade, eu realmente fazia um esforço para acertar o gol imaginário.
O que passou na cabeça do Endrick ao ver a bola açucarada do Vini Jr. para com ele?
Quantas vezes ele também não deve ter simulado em sua mente pueril, um lance onde ele poderia decidir um jogo numa Copa do Mundo?
E de repente, a realidade se apresenta pra ele… e ele chuta pra fora!
Mesmo assim, continuei achando que o Brasil ainda iria definir no tempo normal.
Até que o Ancelotti resolve por Neymar.
Aí fiquei tranquilo. Com um jogador a menos pra marcar, sabia que a Noruega iria dominar o meio campo, achar espaço e acionar o Haaland. Já falei pra minha irmã:
- O Brasil vai perder e essa entrada do Ney vai dar o que falar.
E não deu outra.
Neymar não acha nada e só atrapalha. Cruzamento para o Haaland e caixa.
Quando você vê o Replay, parece àquelas comédia pastelão. O Haaland sem fazer esforço nenhum, apenas sendo Haaland antecipa a bola, Gabriel Magalhães parece jogador do juvenil caindo com a trombada, totalmente inofensivo.
Tipo, àqueles bugs do Super Star Soccer Deluxe (jogo de vídeo game do Snes) , onde tal jogada sempre irá resultar em gol. Nesse caso, o bug que o Brasil tinha que evitar é deixar a qualquer cruzamento sobrar para o Haaland, ou qualquer chute do Haaland iria entrar no gol. Quem jogava vídeo games sabe do que estou falando, e quando você jogava contra um adversário humano, havia um código de ética para evitar os gols resultantes desses bugs. Nesse caso, bola no Haaland e gol, não iria valer.
O segundo gol do Haaland é igualmente impressionante. Ele ajeita a bola e até me parece um tanto displicente. A sensação é que uma rocha, uma pilastra ajeitando a bola pra chutar. Mais uma vez, vejo o Alisson tomando gol com uma bola rasteira…
Outro Bug que teria de ser evitado se fosse vídeo game. Não vale bola rasteira no canto do Alisson, porque é gol na certa.
E pra piorar, ainda tem o lance do Neymar batendo o pênalti e indo tirar satisfação com o goleiro da Noruega, em lugar de correr, pegar a bola na rede e tentar um último lance. Quando vi aquilo, não estava acreditando. E dei graças ao Divino que não torcia pro Brasil, porque senão eu ia ficar é muito puto!
Ainda pra me deixar com mais preguiça, tem toda uma narrativa de que quem torce contra Neymar é esquerdista. Mano, nada a ver… pelo menos eu.
O Neymar tem muita força nos bastidores da CBF, se pá, ele escolhe até técnico e ele como referência nas duas últimas Copas foi um fruto podre para a Seleção. Ele não pode ser referência de liderança para os jogadores. Bem feito pra ele, quando fez aquele gol decisivo contra Croácia que não valeu de nada. E nesse jogo eu tava torcendo pro Brasil.
Vi um status do Whats de uma pessoa que postou um vídeo pós derrota.
Era uma rua que estava decorada com bandeirinhas, havia um toldo para dois “violeiros” se apresentarem perto de uma Adega.
Havia umas cadeiras e mesinhas, a maioria delas vazias, pois seriam para uma comemoração pós jogo.
Não havia alternativa senão os dois violeiros continuarem tocando. A metade que ficou no evento estava bebendo, um pouco sem graça, mas mesmo assim se divertindo com o pouco que restou.
Esse pessoal tem poucos momentos de confraternização, então, os jogos do Brasil passa a ser um evento importante. Uns raros momentos de alegria. Sei que o Brasil não seria hexa, mas uns jogos a mais, garantiria mais momentos como esse.
Eu vi ali uma ingenuidade, sabe. Uma certa pureza.
E isso tocou meu coraçãozinho duro e sádico, que gritou a plenos pulmões os dois gols de Haaland e ficou xingando o Neymar ininterruptamente quando ele deu chilique para com o goleiro da Noruega.
ps.
Acertei o bolão , 2x1 para a Noruega
Mas não comi bacalhoada de “grátis” porque não gosto de comida de norueguês. KKKKKK


Ainda bem que não assisti com você. 😝
E, no final das contas, gosta de comida de qual nacionalidade?