Fingidor
Estava no carro e pus uma playlist no Spotify de músicas dos anos 2000. Para ser mais específico, rock nacional dos anos 2000. E nessa seleção havia umas bandas e umas letras de música que eu considero bem ruins. Coisas que não dizem nada com nada. Mesma coisa que eu dizer que o céu é azul e a vida é para se viver.
Então veio a seguinte frase na minha cabeça e falei pra minha irmã:
- Cara, a diferença dessa bandas bostas, para as bandas que fizeram sucesso nos anos 80 é que as bandas dos anos 80 conseguiam ser ruins com qualidade.
É o que tento ser. Ruim com qualidade. Tipo… entre os ruins ser o menos pior, sabe, tipo isso. Outra frase que pensei:
- Gente burra é bom pra autoestima mas não pode ser parâmetro.
Outro dia uma pessoa que sempre me considerou inteligente me disse:
- Acho o Nikolas Ferreira um rapaz muito inteligente.
Pronto, quebrou minhas pernas.
Então reformulei minha frase:
- Elogio de gente burra não pode ser parâmetro.
Antes ela achasse o Nikolas Tesla inteligente. Mas deve ser uma pessoa que apenas conhece e exalta Thomas Edson. Faz sentido. Adora idolatrar um filho de uma puta.
Outra frase que soltei ontem, relembrando alguns textos do Fernando Pessoa:
- Cara, eu sou a reencarnação burra do Fernando Pessoa.
É como se quando lesse Fernando Pessoa me sentisse compreendido. Não que eu queira me gabar e me sentir especial porque entendi a mensagem dele. Não, isso eu faço com outros autores, por exemplo. Detesto algumas coisas do Drummond, e tenho medo de falar mal dele, só digo que não entendo, que é muito elevado pra mim. Uma coisa o outra dele eu gosto e já até fiz menção dele aqui em meus textos. Afinal, isso é Substack né, tenho que parecer ser o que não sou.
Mas com Fernando Pessoa é diferente. Eu sinto que ele tira da minha cabeça, reflexões que eu gostaria de fazer mas não tenho capacidade. Percepções que ficam ali no inconsciente, mas que você não percebe, até se apontar o óbvio que você não tá enxergando.
Faz 10 anos houve um projeto onde pessoas recitavam poesias. E uma mina despreparada recitou um do Pessoa que era triste. E ela recitou alegre. Fui e desci o cacete nos comentários.
Aí eu vi um veio, um veio que encenava no Parafernalha. Ele recitou cheio de melancolia. Elogiei o veio. Só que depois eu vi que ele era um Bolsonarista. Típico de gente velha, virar reaça. Ai eu quero que esse velho se foda. Acho que tem de ter licença poética para ser etarista com velhos bolsonaristas. Tipo anistia por ofender velhos bolsonaristas com etarismo.
Outro dia tinhas uns na Paulista para fazer manifestações. Sério e sem exageros. Os caras tavam de andador e muletas, mal conseguiam andar e hostilizaram um rapaz que passou com camiseta da CUT ou algo assim. O rapaz passou sem responder.
Se fosse eu, estava preso, porque iria revidar com etarismo.
Aí tive uma ideia sutil.
Vou imprimir uns flyers de casa de repouso e cuidadora de idosos e na próxima vez que tiver manifestação bolsonarista na Paulista, irei distribuir.
Pra disfarçar, vou comprar uma camisa piratex da Seleção Brasileira para me infiltrar.
Porra, seria genial!
Preciso me acalmar quando penso nessas coisas. Conter minhas palavras. Filtrar mais.
Mas como sempre digo…
Difícil alguém ler isso aqui.
E isso me encoraja um tanto.
Vamos rir juntos. É o que nos resta.


NF ser muito inteligente é foda
Concordo um tanto. Até te faria companhia como guarda-costas. Risos.